O presente estudo trabalha com a inter-relação entre a função da responsabilidade social e como as empresas socialmente responsáveis podem usar o marketing social para expor criar uma diferenciação no mercado, transmitindo uma imagem ética e moral.
A princípio o conceito de responsabilidade social, segundo Melo Neto e Froes (2001) é baseado na busca de estimular o desenvolvimento do cidadão e fomentar a cidadania individual. Tendo como foco o dever cívico. Mas este conceito não é unânime, para Duarte (1985), “pode representar a ideia de responsabilidade ou obrigação legal e ainda um comportamento responsável no sentido ético”.
Mas nota-se há uma convergência quanto a relação entre a responsabilidade social, a sustentabilidade, o relacionamento com os stakeholders e as ações que possam contribuir para uma melhoria da qualidade de vida da sociedade.
Segundo Duarte e Dias (1985) a responsabilidade social é alicerçada em três pressupostos básicos.
a ampliação do alcança da responsabilidade da empresa, que não se limais aos interesses dos acionistas; a mudança da natureza das responsabilidades que ultrapassaram o âmbito legal e envolvem as obrigações morais ditadas pela ética; e a adequação às demandas sociais mais atuantes e exigentes.
As entidades que praticam a responsabilidade social compõem o chamado Terceiro Setor, que é um composto de organizações sem fins lucrativos e que estão ligados a interação das empresas privadas com a sociedade, respeitando a legislação criada pelo Estado. Desta forma, surgem as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que estão preocupadas com os interesses coletivos, atuando em assuntos que a princípio seriam da alçada do governo. Seus parâmetros são indicadores socioeconômicos o setor trabalha de modo cooperativo ao mercado.
A forma encontrada pelas empresas para divulgar suas ações de responsabilidade social foram os balanços sociais, um documento divulgado anualmente pela empresa destacando toda sua atuação no terceiro setor. Outro modelo utilizado para balizar estas ações são os selos de certificação, uma espécie de documento que padroniza, formaliza e comprova que a empresa é socialmente responsável.
As empresas que adotam esta postura responsável conseguem atingir um diferencial no mercado. Melo Neto e Froes (1999) afirmam que isto gera um
“fortalecimento da marca e imagem da organização; a geração de mídia espontânea; a fidelização de clientes, a segurança patrimonial e dos funcionários; a atração e retenção de talentos profissionais; a proteção contra ação negativa de funcionários; a menos ocorrência de controles e auditorias de órgãos externos; a atração de investidores e deduções fiscais”.
Esse valor agregado também pode melhorar o desempenho e a sustentabilidade da empresa no médio e longo prazo, contudo quando uma empresa que adota uma postura socialmente responsável e a partir de determinado momento abandona esta posição ela corre o risco de ter sua credibilidade, imagem e reputação ameaçadas.
Para uma empresa trabalhar e divulgar junto à sociedade suas ações de responsabilidade social é o Marketing Social, que segundo Kotler (1978) é “o projeto, a implementação e o controle de programas que procuram aumentar a aceitação de uma idéia social num grupo-alvo”. Para se atingir os resultados esperados são utilizadas ferramentas convencionais de marketing como segmentação de mercado, pesquisa de consumidores, configurações de idéias dentre outras. Cobra (1986) afirma que o marketing social é o intercâmbio de valores tendo como foco vender idéias ou propósitos que proporcionam bem-estar à comunidade.
Outra expressão existente é o marketing para causas sociais, não difere do caráter central das explicações acima, pois ele é entendido como uma ferramenta estratégica de marketing e de posicionamento que uma empresa traz para junto de si com o intuito de se atingir um benefício mútuo. Este programa pode ser desenvolvido por meio de uma aliança estratégica entre uma empresa e uma organização comprometida com a área de interesse social.
Melo Neto e Froes (2001) afirmam que existem várias formas de utilizar o marketing social, tais como o marketing de filantropia, marketing de campanhas sociais, marketing de patrocínio dos projetos sociais, marketing de relacionamento e marketing de promoção social do produto e da marca.
Partido do pressuposto que a responsabilidade social é um exercício de cidadania corporativa, as empresas que adotam esta postura buscam uma valorização do seu produto e serviços. Estas ações contribuem para uma diferenciação de mercado, pois ajudam a formar e consolidar uma imagem positiva, credibilidade da empresa além de contribuir para a reputação corporativa. Entretanto, as ações de responsabilidade social têm que ser trabalhadas na filosofia da empresa, para que possa ser disseminada junto a seus stakeholders e assim possam geram valor para a empresa através das ações de marketing social.
Outro ponto importante é que estas ações podem trabalhar de forma negativa para empresa, caso as ações não sejam reais, ou seja, fiquem focadas apenas ao discurso ou em um seguindo ponto quando uma empresa que sempre adotou uma postura socialmente responsável junto aos seus stakeholders decide mudar de postura, assumindo uma posição retrógrada. Isto, provavelmente, irá gerar uma insatisfação e colocará em risco todo o trabalho de construção de imagem, credibilidade e reputação desenvolvidos no decorrer dos anos.
Em suma, as empresas ao assumirem uma postura sustentável, do caráter de responsabilidade social conseguem atingir uma diferenciação e, conforme pesquisas, passam a atender um novo nicho de mercado formado por consumidores que estão dispostos a migrar para empresas éticas e responsáveis, e até mesmo aceitam pagar um preço-prêmio por esses produtos ou serviços. Além disso, é relevante preponderar que estas empresas garantem uma maior sobrevivência no mercado.
Resenha sobre o texto de autoria de
Andrea Regina H. Cunha Levek
Ana Cristina Moraes Benazzi
Janaina Ribeiro Falcão Arnone
Tatiana Monteiro Gerhardt