As estratégias competitivas genéricas trabalham com o posicionamento relativo da empresa dentro do seu setor com o intuito de obter vantagens competitivas sobre seus concorrentes. Dentre as diversas características que uma empresa possa apresentar, PORTER (p.09, 2005) afirma que existem dois tipos básicos de vantagem; o baixo custo e a diferenciação, que se originam da estrutura industrial. Elas resultam da habilidade de uma empresa em lidar com as cinco forças (poder de barganha dos fornecedores, ameaça de produtos substitutos, poder de barganha dos clientes, ameaça de novos entrantes e rivalidade entre os concorrentes) melhor do que seus rivais.
Os dois tipos de vantagem competitiva, apresentados pelo autor, alinhados ao setor atuante da empresa resultam em três estratégias levam a três estratégias genéricas para alcançar o desempenho acima da média de uma indústria: liderança no custo, diferenciação e enfoque, sendo que a última tem duas vertentes: enfoque no custo e enfoque na diferenciação.
Em suma, Porter (2005) afirma que:
“A vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor que uma empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa o custo de fabricação pela empresa. O valor é aquilo que os compradores estão dispostos a pagar e o valor superior provém da oferta de preços mais baixos do que os da concorrência por benefícios equivalentes ou do financiamento de benefícios singulares que mais do que compensam um preço mais alto”. (p.2)
Liderança no custo
Este tipo de liderança tem como principal função baixar o custo de produção de uma indústria, essa ação baseada no custo abrange todo o processo produtivo da empresa, quanto todo seu esforço em marketing, serviço e infraestrutura. O ponto de partida para a análise dos custos é definir a cadeia de valores de uma empresa e atribuir custos operacionais e ativos a atividades de valor (PORTER, p.59, 2005).
O líder deste segmento de ação deve obter paridade ou proximidade com base na diferenciação relativa aos seus concorrentes para ser um competidor acima da média. Contudo é necessário que a empresa já tenha assumido um papel de líder no custo, e não uma dentre várias disputando esta posição. A liderança no custo também é uma vantagem na diferenciação, pois é de suma importância a empresa se colocar com um custo próximo ao do seu concorrente.
Este tipo de liderança exige que a empresa disponha de ampla capacidade instalada para atender grandes demandas, pois a produção em escala possibilita economia e reduções no custo produtivo, devido a experiência adquirida.
Diferenciação
O conceito de diferenciação adotado por Porter (2005) refere-se a busca de uma empresa em ir além de oferecer um produto por um preço baixo, pelo contrário, a diferenciação permite que a empresa peça um preço-prêmio, venda um maior volume do seu produto por determinado preço ou obtenha benefícios equivalentes, como uma maior lealdade do comprador durante quedas cíclicas ou sazonais.
Outro autor que aborda o tema é Kotler (1999) que afirma a diferenciação é o ato de desenvolver um conjunto de diferenças significativas para distinguir a oferta da empresa da oferta da concorrência. E em concordância com o conceito de preço-prêmio diz que,
“Os compradores geralmente estão dispostos a pagar mais caro por produtos que tenham um estilo atraente. [...] O estilo tem a vantagem de criar uma diferenciação que é difícil de ser copiada. No lado negativo, um estilo marcante não indica necessariamente desempenho superior.” (KOTLER, 2000, p.313)
A diferenciação surge da cadeia de valores da empresa e podem ocorrer através de diversas atividades que agreguem valor ou que o distinga dos demais concorrentes, como por exemplo, ações apoiadas por inovações tecnológicas, pela qualidade da matéria-prima que compõe o produto, pelo tempo de entrega, garantia, ponto de venda, força de venda ou ações de marketing, dentre outras. Contudo, é necessário ressaltar que, “embora a diferenciação envolva qualidade, ela constitui um conceito muito mais amplo. A qualidade normalmente está associada ao produto físico. As estratégias de diferenciação procuram criar valor par o comprador por toda a cadeia de valor” (PORTER, p. 115, 2005).
A busca em diferenciar-se no mercado, ou seja, ter uma característica de singularidade da empresa perpassa por um fio condutor que indica quais as razões que levam uma empresa ser singular.
Os principais condutores de singularidade, por ordem de importância, são:
- Escolhas de políticas – estas escolhas são, talvez, o condutor da singularidade simples mais relevante.
- Desempenho e características dos produtos oferecidos;
- Serviços oferecidos;
- Conteúdo de uma atividade;
- Tecnologia empregada na execução de uma atividade;
- Qualidade dos insumos adquiridos para uma atividade;
- Procedimentos que governam as ações do pessoal em uma atividade;
- Especialização e nível de experiência do pessoal empregado em uma atividade, e treinamento oferecido;
- Informações empregadas para controlar uma atividade.
- Elos – esse condutor refere-se as ligações entre os elementos que compõe a cadeia de valores, o elo com os fornecedores e com os canais. Os elos podem significar singularidade se o modo como uma atividade é executada afeta o desempenho da outra
- Oportunidade – a singularidade pode resultar do momento em que uma empresa começa a executar uma atividade, como, por exemplo, sendo a primeira a se apropriar de uma imagem do produto.
- Localização – a empresa se localizar em um ponto estratégico para atingir um determinado público.
- Inter-relações – trabalhar em sinergia com parceiros do mercado, unindo forças com empresas que atuam em um setor semelhante, mas que atingem o mesmo cliente.
- Aprendizagem e vazamento – saber executar uma atividade fim melhor que o concorrente, contudo, somente uma aprendizagem patenteada resulta em uma diferenciação sustentável.
- Integração – a integração de uma empresa pode envolver não spo atividades dos fornecedores ou dos canais, mas ela pode envolver a execução de atividades no momento executadas pelo comprador.
- Escala – Uma grande escala pode permitir que uma atividade seja executada de uma forma singular impossível com um volume menor.
- Fatores institucionais – o sistema de funcionamento institucional pode ser uma forma de a empresa agir de maneira singular.
As ações que tornam uma empresa singular podem afetar os condutores de custos. Normalmente uma empresa precisa incorrer em custos para ser singular porque a singularidade exige que ela execute uma atividade de valor de uma melhor forma que a concorrência. Mas conforme PORTER (2005), uma atividade singular também pode reduzir o custo, contudo, se uma empresa não está reduzindo agressivamente seu custo, então tentativas no sentido de alcançar singularidades elevam os custos. Ao avaliar o custo de diferenciação, uma empresa deve, então, comparar o custo da singularidade numa atividade com o custo de ser igual aos concorrentes.
Para tornar o custo da diferenciação em uma vantagem é importante explorar todas as fontes de diferenciação que não são dispendiosas e minimizar o custo da diferenciação controlando condutores de custos, particularmente o custo de sinalização (reputação ou imagem, publicidade cumulativa, peso ou aparência externa do produto, embalagem ou rótulos, aparência e porte das instalações, tempo no negócio, base instalada, relação de clientes, parcela de mercado, preço – quando conota qualidade, identidade da matriz visibilidade da empresa compradora para a alta gerência). (PORTER, 2005)
“Cada empresa deve decidir quantas diferenças (por exemplo, benefícios, características) deve promover junto a seus consumidores-alvos. Muitos profissionais de marketing defendem a promoção de apenas um benefício central.” (KOTLER, 2000, p 322). Mas se uma empresa não compreende os mecanismos pelos quais suas atividades afetam o valor para o comprador ou a percepção de valor, ela pode diferenciar-se excessivamente.
A singularidade não resulta em diferenciação, ao menos que seja de valor para o comprador, por outro lado, uma empresa cria valor para um comprador que justifique um preço-prêmio através de dois mecanismos: reduzindo o custo do comprador; elevando o desempenho do comprador. É importante também verificar qual a percepção de valor que o comprador tem da empresa ou do produto, na determinação do nível efetivo de diferenciação atingido, a percepção do comprador pode ser tão importante quanto a realidade daquilo que a empresa oferece. Os compradores não pagarão por valor que não percebam, desta forma, o produto não atingirá um preço-prêmio e a estratégia de diferenciação não terá sustentabilidade para prosseguir no mercado a longo prazo. Assim uma empresa deve encontrar fontes duradoras de singularidade protegidas por barreiras contra imitação (PORTER, 2005).
Enfoque
A empresa que adota a estratégia de enfoque concentra suas atenções em um grupo específico de compradores, ou em um segmento da linha de produtos, ou ainda em uma determinada área geográfica. O estabelecimento da posição de enfoque pode ocorrer de várias formas (PORTER, 2005). Enquanto as estratégias de liderança no custo total e diferenciação procuram alcançar a indústria como um todo, a estratégia de enfoque concentra-se no atendimento eficiente de um alvo específico. Para viabilizar a busca dessa posição competitiva, os processos operacionais são estabelecidos de acordo com essa especificidade (PORTER, 2005). A posição de enfoque pressupõe que é mais viável atender um alvo estratégico mais específico de forma eficaz do que procurar cobrir a indústria como um todo. Normalmente há lugar pra diversas estratégias de enfoques sustentáveis em uma indústria, desde que sejam escolhidos segmentos-alvos diferentes.