domingo, 19 de junho de 2011

Spin-offs: P&D e tranferência de tecnologias

Resenha critica:
Texto 1 - Obstáculos à inovação: um estudo sobre a geração de spin-offs universitárias na realidade brasileira
Texto 2 - Spin-off e transferência de tecnologia: O estado da arte e a interpretação empresarial

O termo spin-off pode ser entendido como um mecanismo de transferência de tecnologia que ocorre quando uma nova empresa é formada para comercializar uma tecnologia que foi desenvolvida em um laboratório de P&D do governo, uma universidade ou uma organização de P&D privada, ou seja, tendo como base uma parceria entre universidade, governo e empresas, cujas atividades apóiam-se, em que ao menos em um determinado momento, os resultados de pesquisas se beneficiem de uma licença de exploração. Visto que transferência de tecnologia é a aplicação da informação levada a prática para possibilitar a realização de alguma atividade ou tarefa como trabalho.

A questão sobre a transferência de conhecimento á uma das maiores preocupações do meio científico e das universidades, públicas ou privadas. Contudo, a transferência de tecnologia pode ocorrer na disseminação de resultados fora do mercado, na exploração de know-how e resultados de pesquisas de mercado ou na exploração de resultados, dentre eles o spin-off que só existe após a concepção do produto final, desenvolvendo-se paralelamente ao desenvolvimento do produto.

A criação de spin-off passa pelo estágio que gera e avalia as idéias com respeito à possibilidade de comercialização. Em seguida considera estas idéias e traduz as mais promissoras de todas em planos de negócios, concretiza os melhores planos de negócios criando spin-off, por fim, consolida e fortalece o valor econômico criado através da empresa.

Outro modelo existente traça sete passos para a criação de spin-off. O primeiro é a descoberta científica, determinação das oportunidades e necessidades; demonstração da executabilidade em escala laboratorial; operação de protótipo em escala real ou testes de campo; introdução comercial ou uso operacional; adoção em larga escala; proliferação e difusão para outros usos e influência no comportamento social e ou econômico, sendo cada aço eliminatória no processo.

Os dois modelos, acima citados, têm como base quatro entidades principais que caracterizam sua criação: o inventor da tecnologia; a organização-mãe na qual a pesquisa foi desenvolvida; o empresário que adota a tecnologia e o investidor que fornece os recursos financeiros. Quando a universidade transfere tecnologia, um dos possíveis resultados deste processo é a criação de um novo empreendimento, que sofre influências de fatores que dificultam ou potencializam seu desenvolvimento.

Dentre as principais variáveis de impacto positivo ou negativo, pode-se destacar que os países desenvolvidos são capazes de manter uma fronteira tecnológica internacional devido a seus sistemas nacionais de inovação maduros. Nos sistemas intermediários há um foco na difusão da inovação, com forte capacidade doméstica de absorver os avanços técnicos gerados nos sistemas maduros, por fim, em países em desenvolvimento os sistemas são incompletos, com infraestrutura tecnológica reduzida, e embora possuam sistemas de ciência e tecnologia, não os transformaram em efetivos sistemas de inovação.

Além dos aspectos estruturais, pode-se verificar no ambiente interno das universidades que os principais fatores que influenciam positiva ou negativamente a transferência de tecnologia da universidade estão ligados aos pesquisadores, aos escritórios universitários de transferência de tecnologia e às empresas envolvidas nos processos de licenciamento. Na fase inicial as spin-offs atuam em um ambiente de incertezas, em que são exigidos esforços para o estabelecimento da imagem e credibilidade junto a clientes e capitalistas. Uma vez iniciadas, estas empresas enfrentaram as vicissitudes usuais do mercado para estabelecer produtos e serviços e solidificar sua atuação.

Em pesquisa realizada por Maia& Mañas com 71 empresários de diversas áreas, evidenciou-se que o sucesso das spin-offs ainda estão dependentes e esperançosos de que esforços sejam enviados a partir da administração pública e também da iniciativa privada para que ocorra o entendimento e apoio as iniciativas que possam promover esse tipo de organização

No cenário atual as universidades têm um papel de destaque para o desenvolvimento científico e empreendedor dos países, pois elas são provedoras de capital social e incubadoras de novos negócios. Mas nota-se que no Brasil há um gargalo entre o que as universidades produzem e o que o mercado busca, visto que, a proximidade do mercado é indispensável para se obter o sucesso. A comercialização do produto desenvolvido é inevitável para a sustentabilidade econômica do negócio, pois para que a spin-off passe a ter vida independente haverá um desligamento da organização-mãe.

Os estudos apresentados por Maia&Mañas e Pereira&Muniz apresentaram uma séria de obstáculos ao desenvolvimento da inovação no Brasil, tais como a morosidade no sistema legal, pesquisa de inovação restrita a um número pequeno de universidades, falta de cultura inovadora nos centros acadêmicos e empresariais. Desta forma, concluiu-se que o principal obstáculo enfrentado para o desenvolvimento da inovação no Brasil está nas relações entre universidades, empresas e governos que são inexistentes em alguns casos ou trabalham de forma desarticulada. Contudo, podemos ressaltar que existem ações para combater estes problemas, como por exemplo, a criação da Lei de Inovação Tecnológica, mas ela ainda se mostra incipiente e restrita.

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